Os estudantes que estão neste ano se preparando para concorrer a uma vaga no en-
sino superior sentem, nas duas próximas semanas, a proximidade do momento que, para muitos, é decisivo e, para outros, o primeiro dos desafios a cumprir, no caso dos que vão ainda prestar vestibular, como é o caso na UFRGS e em outras universidades do país.
Nossa época é farta em oferecer aconselhamentos, as dicas sobre como viver melhor,
como aprimorar nossas performances, nossos corpos, nossa saúde, enfim, a busca de resolver as inquietações, angústias, medos e ansiedades da vida fazem o sucesso dos chamados livros de auto-ajuda, dos programas televisivos onde famosos dão suas receitas de como proceder para ter sucesso, dos sites onde se pode procurar respostas para quase todas as perguntas. As dicas para quem vai prestar o exame do ENEM e o vestibular certamente estão bem difundidas, seja nos cursinhos, com a orientação dos professores, seja nos sites especializados ou nas matérias jornalísticas.
Posso apostar que a grande maioria deles colocará o foco no tema da ansiedade. São muitas as técnicas que os mais diversos especialistas sugerem, e algumas matérias dirigidas a estudantes serão enfáticas ao propor simplesmente: “o importante é ficar calmo na hora das provas.”
Pois meu recado aos que acompanham o meu blog e aos que são por mim acompanhados no consultório é para que reconheçam a ansiedade como parte deste processo, e da importância que estão atribuindo ao seu projeto. E para que priorizem a clareza do sentido do vestibular ou do ingresso na universidade, já que fazer as provas com esta clareza é um dos requisitos para ter sucesso. Ou seja, tão importante quanto ter estudado a matéria que cai nas provas, é ter estudado a si mesmo, e estar de posse de algumas convicções sobre o que se pretende ser e fazer nessa vida.
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quarta-feira, 12 de outubro de 2011
domingo, 5 de junho de 2011
O ENEM E O SENTIDO DO VESTIBULAR
Com a abertura das inscrições para o ENEM, parece tornar-se mais séria, mais comprometida a trajetória de quem pretende uma vaga na universidade. O ato da inscrição vem a validar intenções, e o próprio sentido de estar estudando para o vestibular. É uma “cutucada” na tendência que temos a fingir que o tempo não passa.
Os vídeos abaixo tratam das tendências de mercado no Brasil e no futuro. No mundo das tecnologias e da informação, é sem dúvida sempre importante manter-se atualizado em relação ao que o mundo está pedindo hoje dos profissionais. Mas vale lembrar que o mercado se movimenta, transforma-se de acordo com as mudanças do homem, dos modos de produção, do contexto histórico. Estar atento e consciente do contexto histórico em que se vive é base de toda e qualquer intervenção que se pretenda fazer neste contexto. Bem, é fundamentalmente para isto que nos tornamos profissionais. Para intervir, modificar nosso contexto. Fabricar nossa história.
Os vídeos abaixo tratam das tendências de mercado no Brasil e no futuro. No mundo das tecnologias e da informação, é sem dúvida sempre importante manter-se atualizado em relação ao que o mundo está pedindo hoje dos profissionais. Mas vale lembrar que o mercado se movimenta, transforma-se de acordo com as mudanças do homem, dos modos de produção, do contexto histórico. Estar atento e consciente do contexto histórico em que se vive é base de toda e qualquer intervenção que se pretenda fazer neste contexto. Bem, é fundamentalmente para isto que nos tornamos profissionais. Para intervir, modificar nosso contexto. Fabricar nossa história.
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
SE SEU NOME NÃO ESTAVA NA LISTA...
No telejornal, a reportagem abordava o tema: “O que fazer quando seu nome não está na lista de aprovados do vestibular?” Os diversos especialistas, todos da esfera didática, aconselhavam que se fizesse um balanço de pontos fortes e fracos e, a partir daí, se traçasse uma estratégia. Os depoimentos de vestibulandos enfatizavam a persistência, a necessidade de mais horas de estudo e menos lazer. Para, então, de uma próxima vez, conseguir o resultado almejado. Indagado pelo repórter acerca de como saber a hora de desistir – como se “a hora de desistir fosse um momento lógico e natural em todo percurso, como se apenas a dúvida consistisse em saber o momento exato de fazê-lo – um professor salientou o quanto era importante saber se este era o “seu sonho”. Se era o “seu sonho”, então que não desistisse.
Bem, a mim me chamou a atenção que não foi mencionada a necessidade de cada um olhar para si mesmo, procurar se conhecer melhor. Será que este jovem que está reincidindo em reprovações, geralmente para o mesmo curso, não estaria precisando fazer uma parada para se questionar um pouco? Permitir-se entrar na zona de conflito neste caso é fundamental... Ainda que nos traga algumas dificuldades. O filósofo Heráclito, ao utilizar a metáfora do rio onde a água nunca é a mesma, já nos mostrava que a vida é movimento constante.
Portanto, se você não foi classificado no vestibular, faça, sim, uma auto-avaliação, onde você foi bem, onde não foi bem, mas vá além disso. Pense o que estava em questão para você naquele vestibular, pense se você já alcançou uma certa clareza sobre quem você é e o que você quer para a sua vida. Digo uma certa clareza, já que estas são as questões que permeiam nossa vida, e em cada fase dela estaremos nos perguntando e nos respondendo de novo. Nunca saberemos o suficiente... Daí porque é de se duvidar de quem não tem dúvida...
Bem, a mim me chamou a atenção que não foi mencionada a necessidade de cada um olhar para si mesmo, procurar se conhecer melhor. Será que este jovem que está reincidindo em reprovações, geralmente para o mesmo curso, não estaria precisando fazer uma parada para se questionar um pouco? Permitir-se entrar na zona de conflito neste caso é fundamental... Ainda que nos traga algumas dificuldades. O filósofo Heráclito, ao utilizar a metáfora do rio onde a água nunca é a mesma, já nos mostrava que a vida é movimento constante.
Portanto, se você não foi classificado no vestibular, faça, sim, uma auto-avaliação, onde você foi bem, onde não foi bem, mas vá além disso. Pense o que estava em questão para você naquele vestibular, pense se você já alcançou uma certa clareza sobre quem você é e o que você quer para a sua vida. Digo uma certa clareza, já que estas são as questões que permeiam nossa vida, e em cada fase dela estaremos nos perguntando e nos respondendo de novo. Nunca saberemos o suficiente... Daí porque é de se duvidar de quem não tem dúvida...
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
MUITO ALÉM DO ENEM
No próximo final de semana você, que pretende conquistar uma vaga em alguma universidade brasileira, será posto à prova.E certamente está sob efeito daquela ansiedade que acompanha momentos decisivos da nossa vida. Aliás, é bom falar "nossa vida", porque parece nos assaltar, nessas ocasiões, uma sensação de que tudo se resume àquela hora, àquela circunstância, aquele fato. É sempre importante lembrar que estamos em movimento. O movimento da vida, do universo, e o nosso próprio movimento. Esse momento não se estanca aqui, e também não brotou do nada. Portanto,se você vai prestar Enem, é porque construiu as condições necessárias para chegar aqui, e se chegou aqui, você está vivendo uma fase crucial da sua história. Você está traçando o seu projeto de vida.Decidindo quem você é, quem você será, que papel será o seu nesse mundo, o que você vai fazer da sua vida.E a vida é tão rara...
Como diz Lenine.
Bem, é por isso que algo muito além do Enem está em jogo. Muito além do que você sabe, do que não sabe, dos acertos e dos erros, das notas e das classificações. Muito além de tudo que possa acontecer nos dias de prova, está a vida que você está construindo.
Como diz Lenine.
Bem, é por isso que algo muito além do Enem está em jogo. Muito além do que você sabe, do que não sabe, dos acertos e dos erros, das notas e das classificações. Muito além de tudo que possa acontecer nos dias de prova, está a vida que você está construindo.
terça-feira, 29 de junho de 2010
A PREPARAÇÃO PARA O VESTIBULAR
Já próximos do final do semestre, passados os meses de ambientação aos cursinhos
e à própria condição de pré-vestibulandos, abertas as inscrições para o Enem, parece
que o momento é de tomada de consciência, momento adequado para um primeiro recado a todos que estão se preparando para prestar vestibular.
É comum que os pré-vestibulandos sejam acometidos de crises de " não sei nada",
"parece que esqueci tudo", pensamentos que são recorrentes e que se caracterizam pela sua radicalidade.Basta que prestemos atenção às palavras:"tudo" e nada", os extremos radicais onde muitas vezes localizamos nossas ações e nossos sentimentos, que, na verdade, são sempre a expressão de nossas possibilidades reais, e, portanto, de nossos limites. Nunca fazemos nada. E nunca fazemos tudo. Mas sempre e simplesmente o que podemos. Ótimo quando podemos ficar felizes com o "tudo" que nos é possível.
Outra coisa bem importante é assumir um jeito próprio de estudar. A gente só aprende de verdade quando se envolve, quando faz daquele momento do estudo um momento proveitoso, que tem sentido. Pensar sobre as coisas, estabelecer relações, obter uma compreensão própria do que estamos estudando. Se não, ficamos robotizados frente às aulas, aos livros e cadernos.
Muitos estudantes sentem culpa ao se envolverem com as experiências habituais de suas vidas porque estariam "perdendo tempo". Sentem-se culpados se vão se divertir, se vão viajar ou namorar. Escuto muito que o namoro "atrapalha" neste período de preparação para o vestibular.
A palavra "vestibular" deriva de "vestíbulo", aquela peça introdutória nos prédios, que dá acesso ao seu interior, e que não fica nem dentro nem fora. Pois é bem assim que os vestibulandos parecem sentir-se. Sem um lugar próprio, prestes a ter acesso a ele, mas cheios de angústia por nada saberem deste futuro. Este momento, portanto, é vivido como um intervalo. Embora, é claro, não passe de uma fase da vida. Que, simplesmente, tem que ser vivida. Em vez de evitar tudo que não se refira ao estudo, mais importante é aprender a dosar-se, buscar equilíbrio e organização na rotina.
Outra questão, e talvez "a questão", é um pré-requisito para vencer essa fase. Trata-se do sentido que damos para nossas experiências. Sim, é preciso se perguntar sobre que sentido tem o vestibular, para quê estamos estudando, qual é nosso projeto. Porque é por isso que se faz vestibular. Para dar curso ao nosso projeto de vida, para assumir nosso papel no mundo. O papel que escolhemos desempenhar.
e à própria condição de pré-vestibulandos, abertas as inscrições para o Enem, parece
que o momento é de tomada de consciência, momento adequado para um primeiro recado a todos que estão se preparando para prestar vestibular.
É comum que os pré-vestibulandos sejam acometidos de crises de " não sei nada",
"parece que esqueci tudo", pensamentos que são recorrentes e que se caracterizam pela sua radicalidade.Basta que prestemos atenção às palavras:"tudo" e nada", os extremos radicais onde muitas vezes localizamos nossas ações e nossos sentimentos, que, na verdade, são sempre a expressão de nossas possibilidades reais, e, portanto, de nossos limites. Nunca fazemos nada. E nunca fazemos tudo. Mas sempre e simplesmente o que podemos. Ótimo quando podemos ficar felizes com o "tudo" que nos é possível.
Outra coisa bem importante é assumir um jeito próprio de estudar. A gente só aprende de verdade quando se envolve, quando faz daquele momento do estudo um momento proveitoso, que tem sentido. Pensar sobre as coisas, estabelecer relações, obter uma compreensão própria do que estamos estudando. Se não, ficamos robotizados frente às aulas, aos livros e cadernos.
Muitos estudantes sentem culpa ao se envolverem com as experiências habituais de suas vidas porque estariam "perdendo tempo". Sentem-se culpados se vão se divertir, se vão viajar ou namorar. Escuto muito que o namoro "atrapalha" neste período de preparação para o vestibular.
A palavra "vestibular" deriva de "vestíbulo", aquela peça introdutória nos prédios, que dá acesso ao seu interior, e que não fica nem dentro nem fora. Pois é bem assim que os vestibulandos parecem sentir-se. Sem um lugar próprio, prestes a ter acesso a ele, mas cheios de angústia por nada saberem deste futuro. Este momento, portanto, é vivido como um intervalo. Embora, é claro, não passe de uma fase da vida. Que, simplesmente, tem que ser vivida. Em vez de evitar tudo que não se refira ao estudo, mais importante é aprender a dosar-se, buscar equilíbrio e organização na rotina.
Outra questão, e talvez "a questão", é um pré-requisito para vencer essa fase. Trata-se do sentido que damos para nossas experiências. Sim, é preciso se perguntar sobre que sentido tem o vestibular, para quê estamos estudando, qual é nosso projeto. Porque é por isso que se faz vestibular. Para dar curso ao nosso projeto de vida, para assumir nosso papel no mundo. O papel que escolhemos desempenhar.
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