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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

UM NATAL E ANO NOVO INVENTIVOS

Os finais de ano nos impelem à repetição. Ou à invenção. Ao revivermos as tradições de Natal e Ano Novo, encontramo-nos fazendo mais uma vez tantas coisas que sempre fazemos nesta época, que temos que fazer, que alguém espera que façamos... A compra dos presentes, dos panetones, da decoração natalina, dos cartões que trazem palavras tão conhecidas, os votos renovados e replicados de felicidade.
E a felicidade? Nós, humanos, vivemos uma eterna contradição no que diz respeito à felicidade. Pelo simples fato de que nos falta sempre algo, algo que não conseguimos, algo que não dissemos, algo que não podemos, algo sempre nos faltará... Por isso somos seres desejantes. E que, fatalmente, temos que nos ver com essa falta...
Pois a felicidade talvez tenha mais relação com nos havermos com nossa incompletude do que com uma busca de supri-la... Ser feliz parece que tem a ver com esta mágica que rompe com a repetição, com a invenção de um jeito sempre incompleto de fazer algo interessante com essa nossa condição. Onde a falta, a imperfeição, sempre farão sua marca...
Ao desejar aos meus caros leitores um Feliz Natal e felicidade em 2012, estou a fazer-lhes votos de muita capacidade de fazer mágicas, de inventar, ao invés de repetir. E, necessariamente, de se responsabilizarem, arcarem com suas invenções...

quarta-feira, 9 de março de 2011

A FELICIDADE

Num mundo hedonista como este em que vivemos a busca do prazer não tem trégua.E ainda quando, percorrida a trilha, realizados os esforços, pensamos ter alcançado a linha de chegada, percebemos, cheios de humana frustração, que há mais caminho a percorrer. A consumação do almejado prazer está sempre mais adiante, num horizonte que nos parece inalcançável.Nós, homens e mulheres deste pós-moderno mundo, estamos sempre a nos deparar com a frustração, e com a distância sempre renovada entre o que queremos e o que podemos, entre o que desejamos ter e o que conseguimos , entre o que gostaríamos de ser e o que realmente somos.E aí estamos nós, com a sensação de estarmos sempre atrás de nós mesmos. A tão sonhada felicidade não passará de tema de novela ou de comercial de televisão?
Freud já dizia em "Mal Estar na Civilização" que todo programa do princípio do prazer é impossível de ser executado,já que todas as normas do universo são-lhe contrárias.Três são as fontes que ele aponta neste texto brilhante e sempre atual para explicar o sofrimento humano: o poder da natureza, a fragilidade humana, e a relação com os outros. A civilização, há milhares de anos atrás, transformou o animal em homem por meio da renúncia aos instintos e do trabalho.
Na vida humana,pode-se ver, essa questão da felicidade é sempre uma grande armadilha.É assim que caímos na armadilha quando confundimos felicidade com prazer absoluto, ser feliz com ser capaz de obter algum desses objetos que a indústria e o mercado travestem de objetos do desejo, quando temos a ilusão de que seremos felizes se nada nos faltar. Pois o humano se constitui nas faltas, no imperfeito, naquilo que não é o ideal. Mas que é.
Bem,acho que é justamente neste campo que a Psicanálise e a psicoterapia podem operar. Acompanhando o sujeito na sua busca pela felicidade. Essa felicidade possível que experimentamos no momento do encontro com a nossa verdade,encontro este tão mais feliz quanto mais pudermos reconhecer-nos em nossas possibilidades, e nos arranjarmos o quanto melhor pudermos com aquilo que somos. A felicidade inclui, ainda, a capacidade de ir além da descoberta de si mesmo. Ser feliz é também incumbir-se da missão de colocar no mundo esta descoberta.