Onde começa tudo isso? Nossa história? Um casal que engravida. Sim,mas o casal possuía por sua vez sua própria história, iniciada quando outro casal havia engravidado. Que por sua vez era fruto da história de outro casal, e só não direi assim por diante, já que se trata de um retrocesso no tempo que se perde na história do próprio homem. Eis aí a essência do que faz do homem esse animal diferenciado do resto da natureza. Um animal que tem consciência, que é determinado pela história e ao mesmo tempo é capaz de construir, de criar sua própria trajetória.
Voltemos ao casal. Que poderia estar feliz ou poderia estar infeliz, poderia se amar, poderia estar junto ou separado, será que teriam planejado aquela gravidez, teria sido para eles uma surpresa, nesse caso bem-vinda, ou não, teriam se emocionado, se abraçado, ou teriam recebido a notícia com angústia, teriam sentido medo da vida que não sabiam como seria, teria ela, a mãe ficado sozinha, e nesse caso sentido medo e desamparo? Estaria o casal numa situação financeira estável ou confortável, ou estariam eles desempregados, e nesse caso sentiram-se inseguros, teriam pensado em abortar a criança? Queriam menino ou menina? O que passaram a imaginar sobre seu filho? O que desejaram para ele, que planos construíram para a criança, que nome lhe deram...
Poderíamos continuar imaginando nosso casal em cada momento dos tantos momentos que tiveram para viver em suas vidas com seu filho, desde que tiveram a notícia ou confirmação da gravidez, até cada semana da gestação, depois no parto, teria sido normal, cesário, a criança, como teria vindo ao mundo? E que mundo a teria recebido?
Somos feitos de laços, somos construídos nos laços,esses que se criam entre os casais, entre pais e filhos, entre as pessoas. Desde o primeiro toque, o primeiro olhar, as primeiras palavras, as primeiras sensações. E pela vida afora, somos feitos desses laços...
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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
sábado, 28 de agosto de 2010
PAIS E FILHOS - O SIGNIFICADO DA VIDA
A relação de pais e filhos é fundadora, e em seu curso se firmam leis, valores, experiências e amores. Que vão dando sentido à vida. E constituindo o sujeito, sua história, sua identidade. Relação fundamental, encadeada na sucessão de gerações,portanto, antecedida por outras que lhe foram modelos, e a servirem de referência a outras ainda, que lhe serão posteriores.O curso da vida, da história humana, que se constrói na vivência dos laços sociais, na relação com o outro. O indivíduo, portanto, traz em si, em seu íntimo, a marca inevitável do social.
A relação de pais com filhos é determinante já desde as primeiras expectativas, os primeiros desejos, projetos acerca do filho ainda inexistente. O que se quer para ele, o que se espera dele,que nome se lhe dá, de que forma, enfim esse filho vai se inscrevendo no desejo dos pais. Uma relação que é permeada, em seu curso, pelo caráter paradoxal, já que, para sobreviver, a criatura humana necessita dos cuidados do outro, e, ao mesmo tempo, para se constituir como sujeito, precisa se independizar desse outro.Esta contradição se faz presente em muitos momentos do desenvolvimento, e já desde o nascimento, quando a vinda ao mundo acontece com a separação. Se o bebê humano foi um só com o corpo materno, nascer significa começar um processo de individuação. E vão se sucedendo, ao longo da vida, tais momentos. Que são sempre, de forma inevitável, experiências de aprendizado e autoconhecimento marcadas pelas dores da perda e pelas alegrias do crescimento. É a vida...O desmame, os primeiros passos, a primeira ida à escola,pais e filhos vão se construindo e reconstruindo nesse movimento pleno de encontros, desencontros, conflitos, risos, lágrimas, apegos, amores e descobertas. Sim, porque não se nasce sabendo como ser pai, como ser mãe, como ser filho. A gente vai aprendendo no próprio curso dessa história, que é uma hitória, por um lado, como todas as outras, por outro, muito singular, muito própria.
A relação de pais com filhos é determinante já desde as primeiras expectativas, os primeiros desejos, projetos acerca do filho ainda inexistente. O que se quer para ele, o que se espera dele,que nome se lhe dá, de que forma, enfim esse filho vai se inscrevendo no desejo dos pais. Uma relação que é permeada, em seu curso, pelo caráter paradoxal, já que, para sobreviver, a criatura humana necessita dos cuidados do outro, e, ao mesmo tempo, para se constituir como sujeito, precisa se independizar desse outro.Esta contradição se faz presente em muitos momentos do desenvolvimento, e já desde o nascimento, quando a vinda ao mundo acontece com a separação. Se o bebê humano foi um só com o corpo materno, nascer significa começar um processo de individuação. E vão se sucedendo, ao longo da vida, tais momentos. Que são sempre, de forma inevitável, experiências de aprendizado e autoconhecimento marcadas pelas dores da perda e pelas alegrias do crescimento. É a vida...O desmame, os primeiros passos, a primeira ida à escola,pais e filhos vão se construindo e reconstruindo nesse movimento pleno de encontros, desencontros, conflitos, risos, lágrimas, apegos, amores e descobertas. Sim, porque não se nasce sabendo como ser pai, como ser mãe, como ser filho. A gente vai aprendendo no próprio curso dessa história, que é uma hitória, por um lado, como todas as outras, por outro, muito singular, muito própria.
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