É freqüente se ouvir dizer “ desde criança eu queria ser ...” quando se trata da escolha da profissão. Proponho que pensemos aqui se realmente estas escolhas infantis correspondem ou mesmo determinam as posteriores, ou as escolhas profissionais definitivas- se é que se deve denominá-las assim, já que sempre é tempo de questionar nossas escolhas, mesmo que as mantenhamos ou reafirmemos.
As brincadeiras infantis tem a função importante de contribuir para a construção ou constituição do sujeito. Não me refiro aqui somente àquelas tão facilmente associadas à meninos e meninas, como o brincar de carrinhos ou o brincar de bonecas. O brincar pode abranger desde os primeiros movimentos de mãozinhas que exploram o próprio corpo e o corpo do outro, mãozinhas que arranham os próprios rostinhos, dedinhos que avançam ameaçando” furar” o nariz, as orelhas, os olhos, que puxam cabelos, brincos e correntes, no exercício da identidade corporal. É assim, nessas primeiras e fundamentais bricadeiras, que o bebê vai constituindo seu próprio corpo, suas primeiras raízes de identidade. Brincar não é só brincadeira. É coisa muito importante para uma criança.
É no brincar que a criança elabora suas dificuldades emocionais, encenando na brincadeira o enredo de sua vida .Crianças que não brincam geralmente estão muito doentes. Todas as crianças brincam de médico, de professor, de mamãe e de papai, de loja, de motorista, de artista, enfim, são muitos os papéis que elas assumem ao brincar. Claro que cada criança vai encenar o médico, o professor, ou seja qual for o papel, com características muito singulares, que dizem respeito ao seu contexto particular, às suas condições emocionais e à sua história, suas experiências de vida. A capacidade criativa e produtiva da criança é o próprio brincar.
O ser humano se fez humano ao trabalhar, isto desde os primórdios da sua história, assim como a criança se faz sujeito ao brincar. E desta forma, podemos compreender a relação destas duas atividades fundamentais do humano: o brincar da criança, o trabalhar do adulto.
A escolha da profissão está muito mais relacionada com as experiências que vivemos em nossas histórias, as identificações construídas em nossas relações, nossa personalidade, nossas habilidades e interesses construídos ao longo da nossa história.
Nosso projeto de vida, a escolha do papel que vamos desempenhar na sociedade, deve estar associado com aquilo que faz mais sentido para nós, o que faz a vida ter sentido.
No mundo inteiro muita gente trabalha. Muita gente não tem trabalho. Mas pouca gente tem o privilégio de professar sua ideologia, aquilo em que acredita, através do seu trabalho.
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segunda-feira, 23 de maio de 2011
sábado, 28 de agosto de 2010
PAIS E FILHOS - O SIGNIFICADO DA VIDA
A relação de pais e filhos é fundadora, e em seu curso se firmam leis, valores, experiências e amores. Que vão dando sentido à vida. E constituindo o sujeito, sua história, sua identidade. Relação fundamental, encadeada na sucessão de gerações,portanto, antecedida por outras que lhe foram modelos, e a servirem de referência a outras ainda, que lhe serão posteriores.O curso da vida, da história humana, que se constrói na vivência dos laços sociais, na relação com o outro. O indivíduo, portanto, traz em si, em seu íntimo, a marca inevitável do social.
A relação de pais com filhos é determinante já desde as primeiras expectativas, os primeiros desejos, projetos acerca do filho ainda inexistente. O que se quer para ele, o que se espera dele,que nome se lhe dá, de que forma, enfim esse filho vai se inscrevendo no desejo dos pais. Uma relação que é permeada, em seu curso, pelo caráter paradoxal, já que, para sobreviver, a criatura humana necessita dos cuidados do outro, e, ao mesmo tempo, para se constituir como sujeito, precisa se independizar desse outro.Esta contradição se faz presente em muitos momentos do desenvolvimento, e já desde o nascimento, quando a vinda ao mundo acontece com a separação. Se o bebê humano foi um só com o corpo materno, nascer significa começar um processo de individuação. E vão se sucedendo, ao longo da vida, tais momentos. Que são sempre, de forma inevitável, experiências de aprendizado e autoconhecimento marcadas pelas dores da perda e pelas alegrias do crescimento. É a vida...O desmame, os primeiros passos, a primeira ida à escola,pais e filhos vão se construindo e reconstruindo nesse movimento pleno de encontros, desencontros, conflitos, risos, lágrimas, apegos, amores e descobertas. Sim, porque não se nasce sabendo como ser pai, como ser mãe, como ser filho. A gente vai aprendendo no próprio curso dessa história, que é uma hitória, por um lado, como todas as outras, por outro, muito singular, muito própria.
A relação de pais com filhos é determinante já desde as primeiras expectativas, os primeiros desejos, projetos acerca do filho ainda inexistente. O que se quer para ele, o que se espera dele,que nome se lhe dá, de que forma, enfim esse filho vai se inscrevendo no desejo dos pais. Uma relação que é permeada, em seu curso, pelo caráter paradoxal, já que, para sobreviver, a criatura humana necessita dos cuidados do outro, e, ao mesmo tempo, para se constituir como sujeito, precisa se independizar desse outro.Esta contradição se faz presente em muitos momentos do desenvolvimento, e já desde o nascimento, quando a vinda ao mundo acontece com a separação. Se o bebê humano foi um só com o corpo materno, nascer significa começar um processo de individuação. E vão se sucedendo, ao longo da vida, tais momentos. Que são sempre, de forma inevitável, experiências de aprendizado e autoconhecimento marcadas pelas dores da perda e pelas alegrias do crescimento. É a vida...O desmame, os primeiros passos, a primeira ida à escola,pais e filhos vão se construindo e reconstruindo nesse movimento pleno de encontros, desencontros, conflitos, risos, lágrimas, apegos, amores e descobertas. Sim, porque não se nasce sabendo como ser pai, como ser mãe, como ser filho. A gente vai aprendendo no próprio curso dessa história, que é uma hitória, por um lado, como todas as outras, por outro, muito singular, muito própria.
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