A essência do meu trabalho como psicóloga clínica é a construção de sentido.
Digo construção porque é isso mesmo, é processo, é movimento,é a busca de novos significados para tudo aquilo que trazemos tão adormecido ou tão bem acomodado dentro de nós mesmos.
A psicoterapia, que tenho trabalhado com jovens e adultos desde 1985, produz sentido, ressignifica o que tendemos a repetir, visa criar novos arranjos com nossos sintomas ou nosso jeito de ser no mundo. É a busca da verdade, que não é absoluta,infalível ou sequer conhecida. “ A verdade diz : EU”, segundo Lacan.
A palavra clínica, de origem grega, significa “inclinar-se sobre”, ou seja, inclinar-se sobre o sujeito, partindo do acolhimento e da escuta, operando na verdade do discurso,trabalhando para a produção de novas versões sobre os mesmos fatos, operando com as motivações conscientes e inconscientes do sofrimento. Problemas ou dificuldades bem atuais e muitas vezes bem conscientes que, ao longo do processo terapêutico, vão remetendo a conflitos mais antigos e não tão conscientes. Uma experiência de transformação,de abertura para novos sentidos.
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domingo, 3 de abril de 2011
quarta-feira, 3 de março de 2010
O RISCO QUE É VIVER
Na vida, tendemos à preocupação com as definições, com o acabamento das coisas.
Desejaríamos saber como tudo vai transcorrer, como vai acabar, que resultado obteremos a partir de nossos investimentos.
Decidimos e escolhemos o tempo todo. A comida que comemos, a roupa que usamos, as palavras que diremos e as que calaremos, se compramos ou poupamos, se beijamos ou abraçamos, se brigamos ou perdoamos, se ousamos ou nos reservamos. A profissão, o namorado, a namorada, com quem ficar na festa, se acreditamos ou desconfiamos, se amamos ou gostamos...
Quem somos nós? É a pergunta que parece que temos que responder todo dia. Ficamos a idalizar alguém que seja feito de certezas, e que possa escapar a esse destino de dúvida, de angústia, de questionamento. Desejamos às vezes ficar descansados de nossas inquietações, ancorados num sereno saber que nos proteja do risco. Do risco de errar, do risco de ter que voltar,de ter que pensar melhor, do risco de desmanchar tudo e construir de novo... Às vezes queríamos estar abrigados, seguros, inabalados, inatingíveis.
Impossível, pelo menos para os vivos, escapar do movimento surpreedente e incontrolável da existência.
Michel Foucault, filósofo francês que pensou as relações entre o saber e o poder de uma maneira bastante original e esclarecedora, é quem nos diz :
" Não considero necessário saber exatamente quem sou. O que constitui o interesse principal da vida e do trabalho é que eles lhe permitem tornar-se diferente do que você era no início. Se, ao começar a escrever um livro, você soubesse o que irá dizer no final, acredita que teria coragem de escrevê-lo? O que vale para a escrita e a relação amorosa vale também para a vida. Só vale a pena na medida em que se ignora como terminará. "
Foucault, Michel; Coleção Ditos e Escritos, vol v, Rio de Janeiro,ed. Forense Universitária
Desejaríamos saber como tudo vai transcorrer, como vai acabar, que resultado obteremos a partir de nossos investimentos.
Decidimos e escolhemos o tempo todo. A comida que comemos, a roupa que usamos, as palavras que diremos e as que calaremos, se compramos ou poupamos, se beijamos ou abraçamos, se brigamos ou perdoamos, se ousamos ou nos reservamos. A profissão, o namorado, a namorada, com quem ficar na festa, se acreditamos ou desconfiamos, se amamos ou gostamos...
Quem somos nós? É a pergunta que parece que temos que responder todo dia. Ficamos a idalizar alguém que seja feito de certezas, e que possa escapar a esse destino de dúvida, de angústia, de questionamento. Desejamos às vezes ficar descansados de nossas inquietações, ancorados num sereno saber que nos proteja do risco. Do risco de errar, do risco de ter que voltar,de ter que pensar melhor, do risco de desmanchar tudo e construir de novo... Às vezes queríamos estar abrigados, seguros, inabalados, inatingíveis.
Impossível, pelo menos para os vivos, escapar do movimento surpreedente e incontrolável da existência.
Michel Foucault, filósofo francês que pensou as relações entre o saber e o poder de uma maneira bastante original e esclarecedora, é quem nos diz :
" Não considero necessário saber exatamente quem sou. O que constitui o interesse principal da vida e do trabalho é que eles lhe permitem tornar-se diferente do que você era no início. Se, ao começar a escrever um livro, você soubesse o que irá dizer no final, acredita que teria coragem de escrevê-lo? O que vale para a escrita e a relação amorosa vale também para a vida. Só vale a pena na medida em que se ignora como terminará. "
Foucault, Michel; Coleção Ditos e Escritos, vol v, Rio de Janeiro,ed. Forense Universitária
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