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terça-feira, 23 de junho de 2015

NÓS, OS GERENTES

Exercendo meu hábito de leitura diária de alguns sites de notícia, que, aliás, misturam fatos relevantes da política e do cotidiano com irrelevâncias como o último ensaio fotográfico de alguma atriz, as férias de algum famoso em algum lugar do mundo, ou as fofocas acerca da vida íntima de algum ator, deparo-me com a entrevista de uma conhecida atriz global, que, além de atualizar os internautas a respeito de um procedimento estético que havia feito recentemente, comenta sobre as atribulações do dia a dia, das dificuldades que a burocracia impõe a todos nós, e tudo o mais, e acaba por comentar sobre um curso que havia feito de gerenciamento de stress, que ela passa então a elogiar e propagandear. O que me chamou atenção foi esse termo, "gerenciamento de stress". Parece que a vida contemporânea nos transforma a todos em gerentes. Desprovidos, nós, homens e mulheres da modernidade avançada, de um norte, das referências herdadas da tradição, confrontados à incessante multiplicidade de escolhas a fazer ("a vida é feita de escolhas"), à angustiante necessidade de nos fazermos a nós mesmos, de nos fabricarmos, acometidos pelo stress, pela angústia e pela insegurança, ainda assim teremos que ser gerentes... Gerentes de crise, gerentes de finanças, gerentes de carreira, gerentes de stress... A angústia dos jovens frente à escolha profissional, bem como dos adultos, profissionais maduros, está muito determinada por esse "papel" que a sociedade contemporânea lhes aponta como fundamental, esse de ser um bom gerente. Faça o que quiser, mas seja um gerente bem sucedido, a responsabilidade sobre os rumos, as estratégias e os objetivos a alcançar são de sua alçada. A urgência de sucesso, de felicidade, de soluções criativas em nossa época é realmente um importante fator de pressão emocional, de onde deriva esse interesse tão acentuado nessa figura, ou nesse papel do gerente bem sucedido.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

No vídeo abaixo, a música para os ouvidos, a música para a alma. Eduardo Galeano sempre nos provoca com suas palavras a pensar no mundo em que vivemos e a querer viver o mundo que pensamos. Digo música, porque ele escreve de uma forma poética, a beleza de seu texto, como a melhor das poesias, mira um mundo melhor, tem um compromisso permanente com a mudança. É sempre tocante, comovente, inquietante para mim. Neste vídeo ele fala sobre a utopia, que serve, segundo nos diz, para caminhar. Para todos nós, que estamos, neste final de fevereiro com a sensação de mais uma caminhada que começa, para que nos valha como inspiração,para que nossas escolhas visem, corajosamente, transformar o mundo.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

O LISTÃO E O DESAFIO DA VIDA

Com a proximidade da divulgação do listão da UFRGS, neste final de semana, os vestibulandos vivem mais um momento em que se vêem com a ansiedade, com a angústia e com suas expectativas e as expectativas dos outros, com seus medos e suas fantasias. E somos todos fabricantes de fantasias. É aí que cada um toma um rumo muito singular, cada um com sua fabricação própria. E nos repetimos, nos vemos fazendo certas mesmas coisas, pensando certas mesmas coisas, falando algumas mesmas coisas, que muitas vezes nos aborrecem, nos cansam... Tenho que passar porque preciso fazer meus pais felizes, preciso passar para que meus pais me valorizem, não passei porque não sou inteligente, todos vão passar menos eu, enfim, as fantasias que crescem dentro de nós, e passam a ser tema dos roteiros que protagonizamos dia a dia. Os resultados que estão por ser divulgados, por mais que sejam tão importantes para cada vestibulando, não resultam na vida. Aí aquela frase bem conhecida “a vida segue”, cai bem. Algo maior, muito maior, que tem a ver com nossos ideais, nossos projetos, o rumo que queremos dar a nossa existência...Este é o nosso verdadeiro desafio. O sentido que vamos dando ao nosso viver.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

A PRINCIPAL CARACTERÍSTICA

Um vídeo sobre informação profissional,com o título "Qual a principal característica que um jornalista deve ter?". Ao assistí-lo, não me surpreendi com a diversidade de respostas dos vários profissionais entrevistados, apesar da promessa indicada no título apontar para a distinção de uma única e principal característica... Fiquei pensando em como nossa tendência simplificadora e carente de respostas que nos apaziguem a angústia frente ao incerto, ao que não conhecemos ou não sabemos como será... Sim, porque por mais que estejamos esclarecidos acerca de uma futura profissão, não há o que nos salve de viver a insegurança frente ao futuro, o medo de "errar", não existe meio de evitar essa condição humana. Viver tem, entre outras conotações, esta de nos arremessar ao incerto, ao duvidoso, ao desconhecido. Inclusive de nós mesmos, já que estamos sempre em movimento, nos transformando, aprendendo,nos surpreendendo.Ainda bem, pode-se dizer... É bem por isso que não existe nem pode existir a tal característica principal de um determinado profissional, seja qual for a profissão. Ainda bem, pode-se dizer, porque é assim que podemos contar, numa mesma área profissional, com uma diversidade de estilos, diferentes técnicas, conduções diferentes, abordagens diversas. Um mesmo profissional, inclusive, em momentos diferentes de sua carreira, terá desempenhos diferentes, e imprimirá à sua técnica o resultado de sua vivência, de seu aprendizado e de suas condições naquele momento. Assim como podemos salientar em cada profissão, tantas características importantes, ou mesmo alguma que a princípio não estivesse aí listada, que, dependendo de como fosse explorada pelo profissional, pudesse se converter numa importante característica... Mais importante do que salientar uma qualidade principal para o desempenho de um papel profissional, me parece, sem dúvida, pensar sobre o que nos leva à identificação com este papel. E sobre a importância de, ao invés de seguir clichês ou lugares-comuns, de nos abrirmos para as possibilidades sempre ricas de vivenciar o exercício profissional de um modo singular, que tem a nossa cara, o nosso jeito.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

ESCOLHA, DÚVIDA E CERTEZA

A possibilidade da escolha é justamente um marco no amadurecimento de todos nós. Desde crianças, a promessa de ter acesso à liberdade de escolher nos era feita. Já que nenhum de nós escolheu nascer, escolheu o próprio nome, em que condições viria ao mundo, as próprias bases ideológicas que embasariam nossa educação, é claro que não escolhemos. Estivemos, podemos dizer, submetidos, determinados por uma conjuntura que nos antecedeu e que nos deu origem. Ansiamos por fazer nossas próprias opções. E, na infância, imaginamos que a possibilidade de escolher é uma chave que nos conduz a um mundo de liberdade e sucesso. Quando, então, nos deparamos com as primeiras, experimentamos também a incerteza, a angústia, o receio de perder, ou mesmo o sentimento de perda que as acompanha, inevitavelmente. Pois a opção que não fizemos, esta fica perdida. É então que nos vemos aprendendo que a escolha diz de nossa condição de sujeitos. Estes, que ganham e perdem. Estes que anseiam pelas certezas e são tão cheios de dúvidas. É com isto que temos que nos ver. Fantasiamos, muitas vezes, que a escolha nos conduzirá à certeza. Como negar que este seria o ideal? Que pudéssemos nos cercar de certezas. Já Descartes preocupava-se com esta questão. E para resolvê-la, obrigou-se a lançar mão de Deus. Pois do que podemos nós, humanos, estar certos de verdade? A certeza, a verdade absoluta, pertencem a um terreno ideal. Nós, seres humanos, desde Freud, descobrimos que somos divididos entre consciência e inconsciência. Este saber absoluto, completo, que tem a ver com a certeza, não podemos alcançá-lo. É com isto que temos que nos ver, quando escolhemos. Com esta liberdade que é a que podemos ter. Escolher assumindo os riscos, as perdas, bem como os ganhos e alegrias que venham com nossas escolhas.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

O NAVEGADOR E SUA BÚSSOLA

O indivíduo e suas aventuras são uma invenção da Modernidade. A história pessoal,
o destino individual, as escolhas e a liberdade para escolher, a montagem própria da vida, as singularidades e todas essas premissas ditas básicas do way of life modernista e liberal. Toda esta essência da era moderna vem avançando, no tempo, em velocidade assustadora, de forma que o que vivemos hoje, não sabemos bem como nomear ou significar. Há os que dizem que somos pós-modernos. O que sabemos é que nos distanciamos de tal forma das referências tradicionais que baseavam as sociedades pré-modernas, que o resultado é a desorientação e o desamparo. Navegamos sem bússola.
Talvez por isso busque-se tanta orientação, aconselhamento, no mundo de hoje. É o que se oferece por todo lado. Artistas de TV aconselham, locutores de rádio, jornais e revistas, profissionais de todas as áreas, o facebook, a novela, o livro de auto-ajuda (existe auto-ajuda?), a humanidade desbussolada precisa avistar um rumo.
Os testes, que avaliam e medem os mais variados fatores de comportamento, “você é competitivo?” “você está estressado?” “descubra seu estilo”, “trace seu perfil profissional”, parecem ser uma via de preencher este vazio de convicções, e a própria dificuldade que hoje as pessoas tem para elaborar qualquer definição, quanto mais em relação aos rumos a tomar, já que os roteiros se diversificam e se modificam com tanta rapidez...
A escolha profissional acontece nesse contexto difícil. A Orientação Vocacional bem conduzida é um processo através do qual o orientando obtém uma noção mais clara a respeito de sua identidade, reconhece seus valores, interesses e aptidões, relacionando esse conhecimento à realidade do mundo onde ele vai aplicá-lo. Sentindo-se pronto,assim, para ocupar seu lugar na sociedade. Tal como os navegadores que outrora fortaleceram-se e encorajaram-se para enfrentar os perigos dos mares porque levavam consigo suas bússolas.

segunda-feira, 12 de março de 2012

ATITUDE

Um dos objetivos de uma psicanálise ou mesmo de uma psicoterapia é que o sujeito consiga fazer seus próprios arranjos, libertando-se de suas determinações, dos destinos que sua história lhe traçou; ao invés de cumprir o que lhe havia sido escrito, ele então escreve com letra de seu punho. Cria, inventa, não sem reconhecer suas possibilidades e seus limites. Importante dizer que essa apropriação do seu próprio desejo inclui uma responsabilidade, uma missão ética.
Na vida, essa mudança de curso é essencial. Essencial é dar esse arranjo próprio ao nosso destino. Aí é que nos engajamos no viver. O encontro com nosso desejo requer algo mais para que nos humanizemos. Requer a ética da responsabilização.
O vídeo abaixo nos apresenta uma comovente cena exemplar do compromisso com a responsabilidade. Assumir o seu querer não é tudo. É preciso o engajamento na atitude.

domingo, 5 de setembro de 2010

RECADO AOS VESTIBULANDOS

Abertas as inscrições para o vestibular da UFRGS, eis que os futuros vestibulandos vivem um primeiro momento de aproximação, pode-se dizer, da realidade para a qual se preparam. Realidade que extrapola em muito a realização de provas de conhecimento e da busca de aprovação para ingresso na universidade. É muito mais do que isso. É o real de uma vida adulta que se aproxima. Tarefas complexas precisam ser cumpridas: a escolha de um papel a desempenhar, um projeto de vida a desenvolver na sociedade. Certamente, é bem mais do que ingressar na universidade.Ou mesmo do que fazer a escolha do curso. Justamente, o que "está em curso" é a futura vida adulta em seus primeiros passos, marcados por hesitações, dúvidas, às vezes até mesmo bloqueios, ansiedade, angústia. Já que o caminho a percorrer é inevitavelmente permeado por riscos e incertezas. Afinal, como é isto, ser adulto ?
Pois meu recado aos que estão agora se inscrevendo para o vestibular é para que não esqueçam desse algo maior que está em jogo na inscrição, ou mesmo na escolha do curso. Esse algo maior que é o próprio sentido da vida.